ODS 6 e ODS 14 — Água, oceanos e Economia Azul: uma nova fronteira para o desenvolvimento humano

Nos artigos anteriores desta série, venho procurando olhar para os grandes desafios dos próximos cinco a dez anos utilizando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU como referência. A ideia é sempre observar as duas faces da transformação que estamos vivendo: de um lado, as enormes possibilidades abertas pela Inteligência Artificial, automação, robótica, sensores, conectividade e digitalização; de outro, os desafios sociais, econômicos e ambientais que essas mesmas tecnologias podem criar.

Agora quero tratar conjuntamente de dois ODS que estão profundamente ligados: o ODS 6 — Água Potável e Saneamento e o ODS 14 — Vida na Água. Não existe futuro sustentável sem água, e não existe futuro para países como o Brasil sem uma compreensão muito mais ampla da importância econômica, ambiental e social dos rios, das regiões costeiras e dos oceanos. Vamos cobrir todos os tópicos dos 2 ODS, com uma visão bem abrangente.

A Economia Azul ganhará importância crescente. Quando se fala em Economia Azul, muita gente pensa imediatamente em pesca, navios ou petróleo offshore. Mas o conceito é muito mais amplo. Estamos falando de portos, estaleiros, transporte marítimo, turismo, esportes náuticos, pesquisa científica, biotecnologia, energia offshore, aquicultura, conservação, monitoramento ambiental, praias, cidades costeiras e novas formas de utilização sustentável dos recursos relacionados à água.

Nos próximos anos, a Inteligência Artificial, os sensores, os drones, os satélites, a robótica submarina, a Internet das Coisas e os gêmeos digitais mudarão profundamente nossa capacidade de conhecer e administrar esse enorme universo. Seremos capazes de utilizar a tecnologia para proteger a água e os oceanos e, ao mesmo tempo, melhorar a vida das pessoas? Essa é uma das grandes questões da Economia Azul.

Durante muito tempo, a água foi percebida pela população de forma relativamente simples: abrimos a torneira e esperamos que ela esteja lá. Quando falta, quando está contaminada ou quando ocorre uma grande crise, percebemos a complexidade de todo o sistema que existe por trás.

Nos próximos anos, essa infraestrutura será cada vez mais inteligente. Sensores poderão identificar vazamentos em redes de distribuição. Sistemas digitais acompanharão pressão, consumo e qualidade da água. A Inteligência Artificial analisará grandes quantidades de informações e ajudará a identificar padrões, antecipar problemas e reduzir desperdícios. Drones e satélites serão utilizados para acompanhar rios, reservatórios, regiões costeiras e áreas de risco.

A rede de água de uma grande cidade deixará progressivamente de ser uma estrutura quase invisível e pouco monitorada para se transformar em um sistema permanentemente acompanhado por dados. Isso representa uma enorme oportunidade para o Brasil. Um país com grandes recursos hídricos não pode continuar convivendo com desperdícios, perdas nas redes, poluição e desigualdade no acesso à água e ao saneamento.

Uma cidade pode possuir os melhores sensores e sistemas de Inteligência Artificial e, ainda assim, manter populações sem acesso adequado à água tratada e ao saneamento. Por isso, a verdadeira inteligência estará em utilizar essas tecnologias para ampliar a eficiência e, principalmente, a inclusão.

Quando olho aqui para o Rio de Janeiro, vejo uma oportunidade particularmente interessante para pensar a Economia Azul. Poucas cidades combinam de forma tão intensa uma grande população urbana, praias mundialmente conhecidas, baías, portos, turismo, navegação, atividades offshore, universidades, centros de pesquisa, esportes e uma forte identidade cultural relacionada ao mar.

O mar é parte da economia, da cultura e da própria identidade da cidade. Da Baía de Guanabara às praias oceânicas, portos e clubes náuticos. Da pesca às grandes atividades offshore e indústria naval. Do turismo aos esportes e pesquisa científica. Nos próximos anos, toda essa relação será transformada pela tecnologia. E isso poderá (vai!) criar uma nova geração de empregos, empresas, serviços e atividades econômicas.

Os portos serão um dos primeiros grandes exemplos dessa transformação.

A imagem tradicional de um porto, com navios, guindastes, contêineres e trabalhadores movimentando cargas, continuará existindo. Mas por trás dessas estruturas haverá uma camada tecnológica cada vez maior.

Sensores e IA acompanharão equipamentos e cargas e organizarão fluxos de operação. Gêmeos digitais vão simular atividades e drones realizarão inspeções. O resultado será maior eficiência, menor desperdício e maior capacidade de integração com cadeias logísticas.

Atividades repetitivas e previsíveis serão cada vez mais automatizadas. Novos empregos surgirão e será necessário desenvolver e manter sistemas digitais. Analisar dados, proteger redes contra ataques cibernéticos e Integrar sistemas físicos e digitais.

O trabalhador portuário do futuro será cada vez mais conectado à tecnologia e isso vai exigir formação e requalificação. A criação de novos empregos vai obrigar a preparar as pessoas que hoje trabalham em determinadas atividades para as novas funções que estão surgindo.

Sistemas inteligentes ajudarão na navegação, no planejamento de rotas, no consumo de combustível e na manutenção dos equipamentos. Sensores acompanharão continuamente motores e sistemas críticos, permitindo antecipar falhas antes que elas ocorram. A manutenção cada vez mais preditiva, a navegação mais conectada e os sistemas de comunicação mais integrados.

Embarcações poderão operar com níveis crescentes de automação, reduzindo tarefas manuais e repetitivas, mas aumentando a necessidade de profissionais capazes de compreender sistemas eletrônicos, digitais e automatizados.

O profissional marítimo precisará compreender também dados, sensores, automação, segurança digital e sistemas inteligentes. É uma transformação semelhante à que estamos vendo em praticamente todos os setores: a tecnologia não elimina apenas empregos. Ela transforma profundamente o conteúdo do trabalho.

Os estaleiros representam outro excelente exemplo. A indústria naval continuará trabalhando com estruturas físicas gigantescas, materiais pesados e engenharia complexa. Mas o processo de projeto e construção será cada vez mais digital. Gêmeos digitais permitirão simular embarcações e sistemas antes da construção e robôs realizarão tarefas repetitivas ou perigosas. Sistemas inteligentes ajudarão a organizar a produção. Drones serão utilizados em inspeções e até em cargas e descargas.

Ao mesmo tempo, crescerá a necessidade de especialistas em automação, robótica, programação industrial, análise de dados, simulação e eficiência energética. Essa transição será um dos grandes desafios sociais da próxima década. Não podemos simplesmente automatizar atividades e considerar normal que trabalhadores fiquem para trás. A tecnologia terá que vir acompanhada de programas permanentes de educação e requalificação.

Aqui, mais uma vez, o ODS 6 e o ODS 14 se conectam diretamente ao ODS 4 — Educação de Qualidade e Lifelong Learning.

Uma das áreas mais fascinantes da Economia Azul será o avanço tecnológico em direção ao fundo do mar. Robôs submarinos, veículos operados remotamente, sistemas autônomos, sensores, câmeras e sonares cada vez mais sofisticados ampliarão nossa capacidade de conhecer ambientes que ainda permanecem pouco explorados.

A Inteligência Artificial será utilizada para analisar enormes quantidades de imagens e dados, acompanhando ecossistemas, espécies, alterações ambientais e estruturas submarinas com uma precisão cada vez maior. Novas oportunidades para oceanografia, engenharia, robótica submarina, ciência de dados, biotecnologia e pesquisa ambiental.

Quanto maior for nossa capacidade de chegar ao fundo do mar, maior será a pressão econômica para explorar seus recursos. Por isso, a tecnologia deve ser utilizada, antes de tudo, para conhecer, compreender e proteger. O aumento da capacidade tecnológica não pode significar simplesmente aumento da velocidade de exploração.

A Economia Azul também se liga à transformação da matriz energética. O Brasil já possui uma enorme experiência em atividades offshore. Nos próximos anos, novas tecnologias relacionadas à energia eólica offshore, às ondas, às marés, ao armazenamento energético e à produção de hidrogênio ampliarão as possibilidades econômicas associadas ao mar.

Essas atividades vão criar novas cadeias produtivas. Engenharia. Construção. Operação e manutenção. Logística. Pesquisa científica. Monitoramento ambiental. Tecnologia da informação. Novas profissões e empresas surgindo a cada dia!

Uma fonte de energia renovável não significa automaticamente ausência de impacto ambiental. Instalações no ambiente marítimo precisarão ser planejadas com cuidado. Ecossistemas deverão ser monitorados. Comunidades e outras atividades econômicas terão que participar das decisões. O futuro energético será mais tecnológico, e  precisará também ser mais responsável.

No Rio de Janeiro, seria impossível falar de Economia Azul sem falar das praias. Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra e tantas outras representam muito mais do que paisagens. Elas são espaços de turismo, esporte, cultura, lazer, gastronomia e convivência. E, claro, importantes espaços econômicos geradores de novos negócios. Sistemas poderão acompanhar a qualidade da água, informar condições do mar, apoiar operações de segurança e melhorar a gestão de resíduos.

Aplicativos vão oferecer informações para moradores e turistas. Drones podem apoiar determinadas atividades de monitoramento. Mas não vamos transformar todos os espaços da vida em simples extensões do mundo digital. A grande riqueza de uma praia continuará sendo algo que a tecnologia não substitui: a experiência real das pessoas em contato com a natureza.

Quanto mais digital for o trabalho, maior valor para experiências presenciais. Lazer. Esporte. Turismo. Natureza. Cultura. Relacionamentos. A tecnologia não eliminará essas necessidades humanas. Em muitos casos, dará ainda mais importância a elas.

O turismo será uma das áreas mais promissoras da Economia Azul. Navegação de lazer, vela, mergulho, pesca esportiva, passeios marítimos, observação da natureza e esportes náuticos vão ganhar importância econômica.  O Rio de Janeiro possui condições excepcionais para desenvolver essas atividades. A tecnologia ajudará a melhorar as experiências. Realidade aumentada poderá apresentar a história de regiões costeiras. Ambientes virtuais poderão permitir que estudantes e turistas conheçam determinados ecossistemas antes de visitá-los. Sistemas inteligentes facilitarão o planejamento de viagens e atividades.

Uma pessoa poderá conhecer virtualmente uma região do fundo do mar, mas continuará querendo mergulhar. Poderá fazer uma visita digital a uma cidade costeira, mas continuará querendo viajar.  Essa combinação entre digital e presencial será uma das características da economia dos próximos anos.

Existe ainda uma dimensão da Economia Azul que frequentemente recebe menos atenção: a cultura. O mar está presente na música, na fotografia, na literatura, no cinema e nas artes. No Rio de Janeiro, essa relação é particularmente forte. As novas tecnologias criarão novas formas de expressão artística. Experiências imersivas. Ambientes virtuais. Realidade virtual. Instalações interativas. Jogos. Exposições digitais.

Tudo isso poderá aproximar a população de ambientes que normalmente não consegue conhecer diretamente. Poucas pessoas terão a oportunidade de visitar o fundo do oceano. Mas milhões poderão viver experiências digitais capazes de mostrar a beleza e a fragilidade desses ecossistemas.

Quanto mais conhecemos, maior é a possibilidade de proteger. Não existe Economia Azul sustentável se continuarmos tratando rios e oceanos como destino final dos nossos resíduos. Plásticos, produtos químicos, resíduos industriais e esgoto sem tratamento continuam sendo alguns dos grandes problemas ambientais. A tecnologia ajudará a monitorar e identificar esses problemas. Sensores, drones, satélites e Inteligência Artificial ampliarão nossa capacidade de acompanhar regiões costeiras e identificar fontes de poluição.

Mas a melhor maneira de retirar lixo do oceano é impedir que ele chegue lá. Por isso, a Economia Azul precisa estar profundamente conectada à economia circular. Reduzir. Reutilizar. Recuperar. Reciclar. Repensar a forma como produzimos e consumimos. (ODS 12).

Como em outras áreas da economia, veremos uma combinação de automação e criação de novas oportunidades. Determinadas funções, inspeções e processos serão realizados por sistemas inteligentes digitalizados e equipamentos com maior autonomia. Alguns empregos desaparecerão. Outros serão transformados.

Ao mesmo tempo, crescerá a demanda por profissionais especializados em Inteligência Artificial aplicada ao ambiente marítimo, robótica submarina, drones, gêmeos digitais, energia offshore, cibersegurança, biotecnologia marinha, monitoramento ambiental, logística inteligente e turismo náutico.

Também surgirão atividades que hoje ainda não conseguimos definir claramente. Por isso, uma das grandes perguntas não será apenas quais empregos serão criados. Será: quem estará preparado para ocupar esses empregos?

O que permanece? Essa é uma pergunta que considero fundamental em todos os artigos desta série. Se teremos navios mais autônomos, portos inteligentes, robôs submarinos e sistemas de Inteligência Artificial, o que continuará existindo?

Continuaremos precisando de pessoas que compreendam a natureza, querendo viajar, navegar, ir à praia, praticar esportes, conhecer lugares e viver experiências. Continuaremos precisando de relações humanas, criatividade, cultura e lazer.

A tecnologia mudará profundamente os processos mas não eliminará aquilo que nos torna humanos. Ao contrário, se conseguirmos utilizar a automação para reduzir tarefas repetitivas e perigosas, poderemos liberar mais tempo e energia para atividades relacionadas ao conhecimento, à criatividade, ao cuidado e à experiência.

Também vejo grandes oportunidades no transporte aquaviário. Em regiões costeiras, embarcações elétricas, sistemas inteligentes de gestão e integração digital entre diferentes meios de transporte vão criar novas alternativas de mobilidade. No caso do Rio de Janeiro, com a Baía de Guanabara e uma geografia extremamente particular, precisamos repensar a relação entre cidade e água.

O transporte marítimo pode complementar o transporte terrestre e reduzir determinados deslocamentos. Mas não adianta pensar apenas na embarcação. O cidadão pensa no trajeto completo. Sair de casa, chegar ao terminal, embarcar e chegar ao destino. A Inteligência Artificial e os sistemas digitais ajudarão a integrar essas etapas e oferecer melhores informações.

A Economia Azul não deve ser desenvolvida apenas para aumentar indicadores econômicos. O objetivo precisa ser melhorar a vida da população. Significa criar empregos e empresas. Formar jovens e requalificar trabalhadores. Melhorar o transporte e recuperar áreas degradadas. Proteger praias e oceanos. Fortalecer o turismo, desenvolver energia sustentável. Criar conhecimento e inovação. Tudo junto e misturado!

Uma Economia Azul realmente sustentável será aquela em que desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental caminhem alinhadas.  Acredito que o Rio de Janeiro possui condições excepcionais para se transformar em um grande laboratório brasileiro de Economia Azul. Temos universidades, centros de pesquisa, empresas, portos, atividades offshore, estaleiros, praias, turismo, esportes e uma cultura profundamente ligada ao mar. Temos também problemas reais. Poluição. Saneamento. Desigualdade. Áreas degradadas. Pressões urbanas e ambientais.

As soluções criadas aqui poderão ser utilizadas em outras cidades brasileiras e internacionais. Podemos reunir universidades, empresas, startups, governos e comunidades para desenvolver novas tecnologias e modelos de gestão com IA para monitoramento.

Criar gêmeos digitais de regiões costeiras. Desenvolver drones e sistemas submarinos. Criar experiências educacionais e imersivas. Utilizar ambientes virtuais para aproximar a população dos temas relacionados à água e aos oceanos.

Nada disso funcionará sem educação. Precisaremos formar engenheiros, técnicos, cientistas, pesquisadores e profissionais de tecnologia e também formar cidadãos. Uma criança que vive em uma cidade costeira deveria compreender a importância da água e do oceano para sua própria vida, entender de onde vem a água que utiliza e para onde vai o esgoto. Deveria conhecer o funcionamento de um porto e compreender a importância econômica da navegação. Deveria entender como o lixo chega às praias e conhecer as novas possibilidades da Economia Azul.

Ambientes 3D, jogos, simulações, Inteligência Artificial e experiências imersivas permitirão que uma pessoa (de qualquer idade) não apenas leia sobre um problema, mas veja as consequências de suas decisões.

Esse é um caminho que considero especialmente importante para projetos como Aranduland (Aranduland | Uma cidade digital, sustentável e gamificada): utilizar ambientes virtuais e tecnologias imersivas para conectar educação, sustentabilidade, inovação e experiências humanas.

Resumindo, nos próximos cinco anos, veremos uma aceleração impressionante da tecnologia aplicada à água e aos oceanos. Com mais sensores, mais dados, mais Inteligência Artificial e mais automação. Maior capacidade de conhecer o que acontece no fundo do mar e nas regiões costeiras. Portos mais eficientes e navios mais inteligentes. Novas oportunidades na energia, no turismo e na pesquisa.

Determinados empregos serão reduzidos. Milhares de trabalhadores precisarão se adaptar. Novas tecnologias poderão aumentar a pressão sobre os recursos naturais. Como transformar eficiência tecnológica em qualidade de vida?

Uma Economia Azul não será sustentável apenas porque utiliza Inteligência Artificial ou robótica. Será sustentável quando conseguir produzir riqueza sem destruir os ecossistemas que tornam essa riqueza possível. E será humana quando seus benefícios chegarem efetivamente à população.

Quando olho para o Rio de Janeiro e para o Brasil, vejo uma oportunidade extraordinária. O futuro será construído com Inteligência Artificial, robótica, dados e automação. Mas uma parte importante desse futuro também será construída com algo muito mais antigo: a água. Nossa capacidade de proteger, conhecer e utilizar de forma inteligente esse recurso definirá o futuro das cidades, da economia e da qualidade de vida de milhões de pessoas.

O grande desafio será criar uma Economia Azul mais inteligente, sustentável e humana (lembra das Cidades Inteligentes, humanas e sustentáveis, ODS 11?). Porque o desenvolvimento do mar só fará realmente sentido quando ajudar a construir uma vida melhor também em terra.

OBS1: Imagem feita com GEMINI

OBS2: Texto feito por mim a partir de lista de tópicos dos ODS e metas feito pelo chatgpt e casados com minha experiencia em Tecnologia, gestão, EaD e Sustentabilidade

Conheça (Aranduland | Uma cidade digital, sustentável e gamificada), uma cidade virtual focada nos 17 ODS, em construção permanente, sempre aberta a parcerias para cursos, games, experiencias e imersões, gêmeos digitais e informações.

*Paulo Barreira Milet é um LifeLong Learner, Consultor e empresário nas áreas de Gestão e EaD, founder de Aranduland, Diretor da RIOSOFT e Presidente do Cons. de Educação do Coalizão Rio.

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